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2015 | 18 | 117-142
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Festas afro-católicas em Salvador, Bahia, Brasil

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EN
African-Catholic Festivals in Salvador, Bahia, Brazil
Languages of publication
PT EN
Abstracts
PT
Salvador, primeira capital do império português no Brasil, sempre teve uma vivência religiosa intensa e diversificada. O catolicismo tradicional (de raízes ibéricas, ritos medievais, leigo e devocional), implantado pelos colonizadores, recebeu influências das religiões indígenas e africanas. O resultado da elaboração religiosa e cultural do encontro de portugueses, índios e africanos é perceptível nas festas religiosas realizadas por brancos, negros e mestiços, de diferentes grupos sociais, reunidos em irmandades, ordens terceiras ou classes profissionais. Nas festas é difícil estabelecer as fronteiras entre o catolicismo e as religiões afro-brasileiras. Os ritos eram, e ainda o são, realizados nas igrejas e nos seus adros, nos mercados, na praia e no mar. Entre o fim do século XIX e as primeiras décadas do século XX, o poder público e a Igreja Católica realizaram ações conjuntas para coibir as manifestações dos adeptos do candomblé. Imbuída dos ideais de modernidade e civilização, a elite branca e letrada desejava desafricanizar os festejos católicos. Nessa batalha venceu a religiosidade leiga, que burlou regras, promoveu adaptações e continuou a mesclar elementos católicos e das religiões de matriz africana em suas homenagens a santos e orixás
EN
Salvador, first capital of the Portuguese empire in Brazil, has always had an intense and diversified religious life. Traditional Catholicism (lay, devotional, with its Iberian roots and medieval rituals), implanted by the settlers, was influenced by Indigenous and African religions. The result of the religious and cultural blend deriving from the encounter of Portuguese, Indigenous and African people can be noticed in religious festivals held by white, black and mixed-race people from different social groups, which gather in brotherhoods, third orders or professional classes. In the festivals, it is difficult to define the frontiers between Catholicism and African-Brazilian religions. The rituals were and still are performed in churches and their yards, in the markets, on the beach and in the sea. Between the end of the nineteenth century and the first decades of the twentieth century, the government and the Catholic Church acted together to restrain the manifestations of candomble devotees. Imbued with the modernity and civilization ideals, the white, literate elite wanted to de-africanize the Catholic festivals. In this battle, lay religiousness was the winner by breaking rules, fostering adaptations and blending Catholic and African religious elements in tributes to saints and orishas
Year
Issue
18
Pages
117-142
Physical description
Dates
received
2015-03
validated
2015-07
Contributors
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